skip to Main Content

Qual o segredo da contabilidade?

Essa é uma pergunta universal, e cada um de nós, sendo profissional da área ou não por um instante que seja, já deve ter se feito essa pergunta.

Poderíamos elencar aqui várias definições rebuscadas com palavras de efeito e subjetivas, contudo, prefiro ir direto ao ponto. Mas antes precisamos voltar à origem da contabilidade.

A contabilidade foi inventada pelo Frei Luca Pacioli, que era matemático, teólogo, contabilista entre outras profissões. No ano de 1494 foi publicado em Veneza sua famosa obra “Summa de Arithmetica, Geometria proportioni et propornalità” (coleção de conhecimentos de aritmética, geometria, proporção e proporcionalidade). Pacioli tornou-se famoso devido a um capítulo deste livro que tratava sobre contabilidade“Particulario de computies et scripturis”. Nesta seção do livro, Pacioli foi o primeiro a descrever a contabilidade do duplo registro, conhecido como método veneziano (“el modo de Vinegia”) ou ainda “método das partidas dobradas“. Que significa que para cada “Débito” é obrigatório um “Crédito” ou vice-versa. Exemplo: Se a empresa comprou um item de estoque de manutenção à Prazo, “D-Estoque de Manutenção” e “C-Fornecedores”. Existem mais variações para a contabilização com impostos. Mas o conceito permanece o mesmo, o importante é que o Total dos Débitos devem bater com o Total dos Créditos.

Como podemos notar a contabilidade foi criada por um matemático, o que nos remete à cálculos, um sistema de contagem, de controle.

Minha definição simplificada e direta é de que a contabilidade desde seus primórdios busca a contagem de um patrimônio, isso mesmo, por isso somos chamados contadores, guarda-livros. (termo que aliás sempre nos foi imputado de forma pejorativa no passado, bom, pelo menos eu me sentia assim). Qual contador que em uma mesa de reunião há vinte anos atrás não se sentia um pouco desconfortável, quando os demais membros se apresentavam, como advogado tributarista, engenheiro de produção, médico, engenheiro químico e etc?

Aproveitando-se da essência da contabilidade, que era o de simplesmente “contar” no seu princípio, evoluiu para um quadrante muito mais abrangente e imprescindível nos dias atuais. Esse mesmo “contar” hoje, significa “medir”/”mensurar”, “detalhar”, “avaliar” e o principal na minha opinião…”controlar” as proporções de um determinado patrimônio.

Traçando um paralelo sobre como um contador se sentia há 20 anos e como ele deve se sentir hoje, não tenho dúvidas de que hoje estamos em uma posição muito mais privilegiada em função da necessidade obrigatória de todas as empresas, governos, acionistas precisarem conhecer o real valor de um patrimônio empresarial ou não. Cá entre nós, só a contabilidade pode nos dar isso! 🙂

Sendo assim, hoje nas reuniões devemos nos sentir orgulhosos de nossa profissão, sem menosprezar as demais, pois todos sabemos que no final o sucesso de uma empresa depende da sinergia da sua equipe, independente se são médicos, advogados, engenheiros, contadores, etc. Na seleção de 70 só haviam Pelés? Claro que não!

Voltando ao titulo do meu artigo, qual o segredo da contabilidade? minha resposta é:

O segredo está no Conceito que norteia a contabilidade, hoje amplamente difundida através das normas IFRS, isto é, nos pilares que sustentam a razão de existir da contabilidade que hoje sabemos ser o de “controlar”..não só “contar”. O IFRS tem em seus princípios um enunciado em que diz que a “forma” jamais pode prevalecer sobre a “essência”, para mim essa é a “Golden Rule” (regra dourada) da contabilidade. Esta regra é a que permite que a contabilidade permaneça continuamente indissociável do seu conceito precípuo, que é o de “controlar”, independente, de regras criadas por governos. Um exemplo simples, no Brasil a SRF definiu % para a depreciação de ativos, pelo IFRS deve-se adotar o conceito de vida útil/utilização, logo, temos que apresentar os resultados da empresa segundo o conceito da contabilidade não sob a ótica do governo.

Uma vez que já sabemos a resposta para a pergunta Qual o segredo da contabilidade?, que para mim também é aplicar o seu conceito na sua plenitude, um segredo adicional seria a materialização da aplicação desse conceito. Pois, se ficarmos somente na esfera conceitual a contabilidade perderá sua força. Como se faz isso?

Uma frase de Napoleon Hill, me marcou muito como contador, “Seja o que for que sua mente possa conceber, possa acreditar, ela pode realizar.”

De posse desse pensamento fantástico, o que precisamos para materializar os conceitos da Contabilidade em nosso trabalho?

Minha resposta, depois de tantos anos debitando e creditando..(aliás gosto muito de fazer isso, principalmente de fazer um histórico que daqui 10 anos quem ler vai entender o que eu fiz), é, ERP, Sistema Integrado de Controle Orçamentário!

Só um ERP detém a possibilidade de permitir você realizar o que a sua mente conceber!, Portanto não há limite para o nível de integração que você quer dar à empresa que você trabalha! (lembrem-se do ditado acima, sempre) Não aceite não como resposta, lembre-se “Contra a força, não há resistência, tudo depende da magnitude da força!)

Bom colegas, vou ficando por aqui, neste breve e simplista artigo onde busco compartilhar minhas experiências adquiridas ao longo de minha carreira como contador.

Não tenho e nunca tive a intenção de exaurir todas as vertentes possíveis de entendimento deste tema com múltiplas possibilidades de interpretações. Meu objetivo é ser direto. eficaz e auxiliar os que estão começando na vida contábil, pois, se alguém tivesse compartilhado esse conceito antes, não teria demorado tanto tempo para entendê-lo na sua plenitude muito tempo depois de começar minha carreira profissional.


Benedito Monteiro
Coordenador Contábil
This Post Has 0 Comments

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Back To Top
Open chat